Minha primeira universidade













Não me lembro quando descobrir ser um artista
Ainda que ache que estou longe disso
Me lembro que um prédio abandonado
Tinha convivido comigo durante toda a minha infância 
Ele sempre esteve lá 
Nas brincadeiras, em situações que tínhamos que se esconder
Passávamos o dia brincando no prédio abandonado
Criando histórias e desenhando nossos sonhos
Mas houve um tempo que pessoas estranhas
Apareceram com máquinas e pilhas de materiais
Houve muita conversa na Vila onde eu morava
E em algum momento ele estava transformado
Não  havia mais sujeira e nem ratos pelos lados do prédio
Através de conversas curiosas entrei nesse novo espaço 
Completamente limpo e estranho a um só  tempo
Haviam pessoas, haviam salas e uma senhora de meia idade
Ela me convidou sorrindo pegando na minha mão
Para participar de algo que seria uma oficina
Até  então nunca tinha participado de algo assim
No começo foi estranho, diferente, apaixonante
Havia uma liberdade nas pinceladas
E o meu desenho ganhava dimensões a cada nova oficina
Era viciante, era vida além de mortes
Esqueciamos da pobreza deitados nos papéis gigantes
Tinha descoberto minha paixão
Hoje não sei  dizer se consigo fazer outra coisa fora dessa área
Com o desenho aprendir a fazer muitas coisas
Dizem que a Arte transforma as pessoas
Ela conseguiu comigo
Aprendi e ainda continuo aprendendo com ela
A Ufpa mudou minha concepção e com certeza contribuiu
Questionamentos, os modos de como vemos as coisas
Mas sinceramente, minha primeira universidade
Iniciou quando entrei em uma oficina desse prédio
Que havia me acompanhado por toda a minha infância
A Fundação Curro Velho.

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