Quando se é estudante do ensino médio é normal
criarmos uma expectativa de como será o ingresso na universidade,assim quando
cheguei no convênio foi muito difícil escolher um curso superior,e o que me
levou a optar por Artes Visuais foi pensar em toda uma trajetória e contato com
o mundo das Artes que fizeram parte da minha vida até então.Convivi com pessoas
que me fizeram admirar as Artes.Na infância era levada a sarais e varais em
praça aberta,e ver os bastidores era presenciar e participar da produção de
desenhos ,ler quadrinhos,assistir animações,fotografar,ir para exposições de
Arte.Em casa ,observava meu pai fazer esculturas e construir grandes
telas.Passava horas admirando as cores e as formas criando vida no espaço em branco e hoje
quando sinto o cheiro da tinta óleo vem consigo todas essas lembranças.
Por ja estar dentro do universo artístico fora da
escola, o fazer arte dentro dela me levava a ter uma compreensão maior e
admiração pela disciplina.E no segundo ano do ensino médio conheci um
professor que me fez ver o magistério com outros olhos,pois ele pode-se dizer
era o Arte Educador que sabia aliar pratica e teoria,tinha uma uma didática
metodológica fantástica que fez no tempo, todos os alunos,até os que não eram
amantes,gostar e fazer Artes e me incentivou a conhecer o curso.
Então quando tive o primeiro contato com o curso
através da prova de habilidade foi um pouco desapontador,pois ao conhecer o
Atelier de Artes deparei-me com um prédio descuidado e vandalizado. Fui fazer a
prova em uma sala com computadores velhos que mais tarde descobriria que
pertenciam ao único laboratório de informatica do curso.A impressão foi tão
forte que desejei que aquele local não fosse onde iria me formar.todavia,la
estava eu naquele lugar no primeiro dia de aula.A recepção foi boa, o contato
com novas pessoas também, que partilhavam das mesmas ideias e dos mesmos
sonhos.e dentro disso ,de eu ser tão boa educadora quanto o meu professor do
segundo ano.
Recapitulando tudo o que aconteceu até agora, as
observações que tenho a fazer sobre a minha formação é, a grade curricular tem
um um objetivo de formar " bons" Educadores em Artes Visuais.No entanto, como isso pode
acontecer com professores que tem uma didática e metodologia insuficiente.Não
desmerecendo todas as conquistas desses profissionais , mas é desestimulador ir
pra faculdade pensando encontrar aulas chatas, com professores que dormem em
sala, enrolam pra deixar passar o tempo e até mesmo denegrir o aluno com comentários preconceituosos. O que
percebemos é que muitos "professores artistas" só estão em sala por obrigação,dando aula apenas para
complementar a renda com um salário extra e não pela educação.E quando alguns
deles vem retrucar os nossos descontentamentos
pela forma de ensino, eles falam sobre as dificuldades do fazer e
ensinar Arte e do respeito com o professor.
O que me faz perguntar,e o respeito com os alunos? Que
muitos como eu, levam horas de ônibus para chegar na universidade e não ter
aula pois o professor faltou por que
tinha outro compromisso,quando o compromisso era está na faculdade
ensinando, pois se não se pelo prazer o faria pelo dever,já que está sendo pago
para isso.Falo isso não por uma ou duas faltas no semestre,mas pelo que o
excesso disso pode trazer, como passar por uma disciplina completa no semestre
e não aprender absolutamente nada. Sei do dever do aluno em procurar outras
formas de conhecimento para auxiliar a formação, mas é direito nosso que o
professor cumpra seu papel como educador, pois o conhecimento principal que
adquirimos no curso é formado pela disposição de saberes do docente aliado a vontade de aprender do aluno. Penso eu, que
esse tipo de educador não pensa no potencial que ele tem em formar bons
professores de Artes, pois isso vai se refletir
no modo de como licenciatura vai lhe dar no magistério, e de como esses
futuros profissionais serão peças importância para mudar e melhorar a
aprendizagem em Artes Visuais na nossa região. Mas como pensar isso quando
alguns desses docentes nunca passaram por uma sala de aula de escola publica,
com todas as suas mazelas e deficiências e vem nos dizer que somos "alunos
de quinta categoria, opacos, e professores de periferia". O que soa até uma
hipócrita, parafraseando um colega de classe, quando nossa universidade
encontra-se na fronteira de duas das principais periferias da cidade.
Quantas vezes já pensei em abandonar o curso por estar
desmotivadas por essas situações anteriores, mas lembrava que em todo esse
sistema encontravam=se também ótimos professores que nos mostravam o prazer em
sermos "professores artistas", com aulas maravilhosas ,que
incentivavam a produzir, a criar um
pensamento critico, a ver a Arte como instrumento de transformação Social e
Pessoal , e assim como eles, sermos semeadores de uma Nova Educação e inspirar
outros alunos a buscarem a formação em Artes Visuais.
Hoje, estou aqui com a convicção de que a minha
formação ,apesar de suas divergências, dificuldades, problemas pedagógicos e
estruturais, foi "boa", pois encontrei ótimos professores e uma turma que está em
mesma sintonia. Mesmo com suas diferenças há uma troca mutua de de experiência
e ajuda. Não podemos ser os melhores, mas nos destacamos pela parceria (nos
trabalhos,nas festas,nas barcas) e pela luta de querer uma boa formação a todos
os colegas e amigos.
A faculdade já melhorou muito desde o começo da
graduação,seja ela estrutural ou pelo apoio aos alunos,mais ainda tem muitas
deficiências a serem corrigidas para que os futuros graduandos não sejam tão
frustrados quando eu em sua Formação Acadêmica, e procurem , com incentivo
também da universidade ser bons acadêmicos e profissionais em Artes Visuais,
independente da área de atuação.
Adriele de Cassia da Silva Soeiro
201204540029
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