Texto Escrito pela Aluna: Isabelle Barros da Silva
Foi no ano de 2012 que entrei na Faculdade de Artes, Curso de Artes Visuais, da Universidade Federal do Pará. E como qualquer jovem caloura (com apenas 19 nos) apaixonada por tudo o que tem haver com Arte, cheguei cheia de expectativas. Infelizmente, como já diz o ditado popular: “Nem tudo são flores” logo fui percebendo que a faculdade não era tudo aquilo que eu imaginava, pois, assim como muitas outras, cada instituição possui seus defeitos e suas qualidades. Mas não se apavore, não foi uma desilusão total. Graças a Deus e claro, a um Prof. chamado Edilson Coelho, me apaixonei pela licenciatura e me imagino dando aula de Artes Visuais, o que nunca me passou pela cabeça fora da faculdade. Meu objetivo principal era produzir Quadrinhos. Viver das minhas histórias foi e ainda é um grande sonho meu. Mas nesse post querido leitor, infelizmente vim contar a você o que encontrei dentro da faculdade que me afastou temporariamente desse sonho.
Foi no ano de 2012 que entrei na Faculdade de Artes, Curso de Artes Visuais, da Universidade Federal do Pará. E como qualquer jovem caloura (com apenas 19 nos) apaixonada por tudo o que tem haver com Arte, cheguei cheia de expectativas. Infelizmente, como já diz o ditado popular: “Nem tudo são flores” logo fui percebendo que a faculdade não era tudo aquilo que eu imaginava, pois, assim como muitas outras, cada instituição possui seus defeitos e suas qualidades. Mas não se apavore, não foi uma desilusão total. Graças a Deus e claro, a um Prof. chamado Edilson Coelho, me apaixonei pela licenciatura e me imagino dando aula de Artes Visuais, o que nunca me passou pela cabeça fora da faculdade. Meu objetivo principal era produzir Quadrinhos. Viver das minhas histórias foi e ainda é um grande sonho meu. Mas nesse post querido leitor, infelizmente vim contar a você o que encontrei dentro da faculdade que me afastou temporariamente desse sonho.
Primeiro
contarei um como era minha
relação com a
Arte antes da faculdade. Desde
criança adorava desenhar. Desenhava meus quadrinhos não só como
lazer, mas como forma de fuga temporária de uma infância e
adolescência atordoada
pelo
Bullying. Chegava
a produzir 3 histórias em quadrinhos ao mesmo tempo, entupia pastas
e mais pastas com meus mundos e personagens que continham não apenas
valores que eu acreditava, mas cada quadro, cada traço, cada balão e cada personagens eram uma parte de mim numa folha de papel.
Em
relação a
minha técnica,
sempre fui auto de data. Nunca fiz um curso sequer que ensinasse a
desenhar. Fui construindo meu traço começando desde o boneco de
varetas, inserindo ao longo do tempo uma nova parte
do corpo humano até
que aderi ao traço do mangá atualmente. É
totalmente compreensivo que eu tenha criado grandes expectativas
sobre a faculdade. Imagine quantas coisas eu iria aprender? Um leque
enorme de técnicas artísticas me sera oferecido na faculdade, quem
não se animaria com tal possibilidade? E foi exatamente nesse ponto
em que levei meu baque maior.
De
uma criança que desenhava todos os dias, me tornei uma adulta que
parou quase que completamente de desenhar… A criança criativa, que
criava mil mundos, teve que usar sua criatividade em tudo menos no
desenho. Mas o que me levou a isso? Qual foi o meu divisor de águas?
Assim como tive o meu professor anjo da guarda que me fez não largar
o curso, tive o “vilão” dessa minha aventura chamada graduação.
E que por ironia do destino ou não, se é que você acredita em
destino, esse “vilão” foi um dos meus professores de Lab. de
Desenho. Quem iriam me ajudar a alcançar o meu sonho acabou puxando
o meu tapete.
O
professor de uma faculdade tem uma responsabilidade muito grande nas
mãos. Ele está formando não só apenas futuros professores, mas
futuros artistas. Ele é o primeiro exemplo que o aluno de uma
faculdade ira possuir daquilo que ele tem interesse de seguir
carreira. E tanto como professor tal como artista esse professor se
tornou o pior exemplo de ambas as profissões. Segue abaixo, um
trecho do documento redigido pela turma sobre o fato ocorrido que foi
o meu divisor de águas dentro da faculdade:
“Universidade
Federal do Pará
Faculdade
de Artes Visuais
Coordenação
do Curso de Artes Visuais
Belém,
12 de agosto de 2013.
À
Coordenação do Curso de Artes Visuais.
A/C:
Profª. Dra. Ana Cláudia do Amaral Leão.
Prezada
Professora,
Os
alunos abaixo assinados da turma de 2012, do curso de Artes Visuais
vem respeitosamente, solicitar a intervenção urgente desta
Coordenação, no sentido de apurar o episódio lamentável ocorrido
na aula ministrada pelo professor Alexandre Romariz Sequeira, na
disciplina Laboratório de Experimentação Bidimensional, no dia
08/08/2013, conforme exposição abaixo:
1ª)
Nesse dia, parte da turma deveria expor o trabalho final, que
consistia em mostrar o desenvolvimento do aluno ao longo do processo
de ensino e aprendizagem por meio de: Portfólio individual, composto
pela produção artística e os exercício de experimentação de
técnicas ao longo do semestre, como consta no plano de ensino
apresentado pelo professor no início da disciplina.
2º)
Na última quinta-feira, dia 08 de agosto de 2013 às 14h18, os
alunos entraram na sala de aula, encontrando o professor já presente
desde 13h40, segundo relatado por ele, nisso começou a chamar a
atenção da turma em relação ao horário, já de forma exaltada.
Às 14h20 a aluna Isabelle Barros da Silva entrou na sala saudando o
professor que já se dirigiu a ela de maneira agressiva, gritando ao
perguntar se ela tinha noção da hora. Depois se dirigiu para a
turma, ainda exaltado e decidiu fechar a porta, impedindo que os
demais alunos entrassem, colocando, de forma brusca, três mesas
atrás da porta, enquanto a aluna Amanda Cristine Modesto Barros
começava sua apresentação. Na tentativa de ser firme acabou sendo
desrespeitoso com a aluna que não havia concluído o trabalho,
levando apenas o seu processo (conforme avaliação continuada
permitida na ementa) por meio de: um texto informal que ela pretendia
apresentar numa conversa com o professor, um rascunho do que seria a
produção e sua apresentação oral. Reclamando da turma,
utilizando-se até de palavras de baixo calão, usando expressões
como: “turma de quinta”, “parece que estou falando com
crianças”, “parece que estou lidando com jardim de infância”,
“tem gente que eu não sei o que está fazendo no curso de artes
visuais”, entre outras de forma irônica, ele humilhou a aluna
menosprezando seu trabalho e desconsiderando seu processo de
produção. No decorrer das apresentações, alguns alunos chegaram
atrasados e o professor gritou “a aula começou duas horas” e
fechou a porta de maneira brusca, e inclusive sendo rude com um grupo
de alunos que vieram solicitar carteiras.”
Ao
passar por esse episódio perdi completamente o encanto pelo curso. Não iria ser aceita na minha faculdade por desenhar do meu jeito, por ser desenhista de quadrinho ou simplesmente querer ser apenas professora e não possuir uma facilidade para o desenho. O curso grita a todo momento "QUEREMOS ARTE CONTEMPORÂNEA PARA GALERIAS" e eu humildemente junto com muitos outros alunos que conheci ao longo do curso que amam o quadrinho assim como eu teria que conviver com uma faculdade que não dá apoio nenhum para quem quer ser quadrinista. Tive meu momento de crise maior quando me deparei no 6º semestre onde os primeiros sinais de escolha de tema para TCC apareceram e mesmo tendo me apaixonado pela
licenciatura passei todos esses anos sem praticar aquilo que me fez chegar aqui, MINHA VERDADEIRA PAIXÃO E O QUADRINHO e vivo numa faculdade que não me inspira. Sem perceber o parei de produzir, foquei toda a minha atenção na licenciatura e
esqueci temporariamente do meu sonho e objetivo principal. Embora o
baque que sofri desse lamentável episódio tenha sido ENORME, o
aprendizado que consegui tirar foi de me esforçar ao máximo na
minha graduação e formação como professora para que eu nunca
chegue nem perto de ser para os meus futuros alunos o que esse
exemplo infeliz de um professor/artista de faculdade foi para mim e
para minha turma.
E SEREI SIM UMA PROFESSORA DE PERIFERIA COM MUITO ORGULHO!
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